Recentemente li um livro fantástico que trata liderança sob a ótica do Bill Walsh, Head Coach lendário do San Francisco 49ers que conquistou 5 Superbowls em 14 anos, e acabou por criar uma dinastia e um novo estilo de pensar o futebol americano. Ultimamente esportistas têm virado uma grande referência de leitura minha para conceitos de liderança e gestão. Esportistas passam por grandes momentos de estresse, de provação e superação, precisam ter resiliência. Ganham e perdem. Assisto com frequência NBA, Futebol e Futebol Americano e me impressiona como esportistas de alto nível são disciplinados e determinados a dar o seu melhor, assimilam derrotas e têm a resiliência para buscar as vitórias. Alguns grandes exemplos sejam LeBron James, Cristiano Ronaldo e Tom Brady.

Em um dos trechos mais interessantes do livro o autor trata sob Scripting e a importância de se planejar para todas as situações. O conceito está relacionado a se preparar com antecedência para todos os possíveis acontecimentos, tanto positivos quanto negativos, e criar uma árvore de decisões de como agir em cada momento. O planejamento das várias ocasiões ajuda a criar hábito de como agir, torna a reação mais rápida e também ajuda no psicológico, sobre como lidar com pressão em momentos de estresse.

Com a devida licença para o spoiler, em determinado momento ele cita que estavam em uma final de campeonato, com poucos segundos no relógio e conseguiram retomar a posse de bola. Um field-goal os levariam ao empate. Mas ele se deu conta que não estavam preparados para esta situação. Não haviam treinado. Sem saber o que fazer, com o estresse do relógio e o grito ensurdecedor da torcida adversária, eles perderam a posse de bola e o jogo. Neste dia Bill prometeu nunca mais repetir o erro. Estaria pronto para todas as situações, criaria scripts para cada possibilidade – primeiros lances, retomada e posse de bola, jogadas de 20 a 30 jardas com pouco tempo e por aí vai. A consequência desta decisão veio nos 5 títulos seguintes.

Infelizmente não é da cultura do Brasileiro preparar-se com antecedência. Ainda está enraizado o pensamento do improviso, o famoso “na hora eu resolvo”. Aquela de treino é treino e jogo é jogo. Talvez esse pensamento funciona para 1 em 1 milhão de pessoas, que me lembre o Romário nunca foi chegado a treinamento, mas na hora sempre resolvia. Mas no mundo dos negócios os atos no jogo são consequência do suor dos treinos, da preparação para acertar, da resiliência de se levantar e do aprendizado com os erros.

 

Assim como Bill Walsh tinha as 20 primeiras jogadas desenhadas, obviamente com diversos desdobramentos e possibilidades em caso de posse ou perda de bola, faça o mesmo com o seu negócio. Tente fazer o melhor script que puder, prever todos os possíveis cenários, perguntas e respostas sobre seu negócio. Crie diversos cenários e possibilidades: 1) pergunta o que é sua empresa; 2) pergunta o que sua empresa faz; 3) pergunta por que seu negócio existe. Dependendo como a pergunta é feita, o jeito de responder pode mudar. E isto pode ter um impacto enorme na sua imagem e na do seu negócio.

Se for falar com um cliente, saiba tudo sobre ele, quem é seu interlocutor, quais são seus interesses e potenciais perguntas do seu negócio versus do seu concorrente. Esteja preparado, pois os questionamentos virão.

Tenho em meu Evernote uma nota respondendo a todas a perguntas sobre meu negócio, sobre mim – mini bio, origem, história, etc. – para estar o mais preparado possível quando precisar usá-las. Claro que existe uma maleabilidade para alterar respostas ou modificar a ordem, mas a estrutura de pensamento e consistência precisam ser seguidas. E desta forma você estará mais bem preparado para reuniões com investidores, com clientes, palestras e eventos. Consequentemente, você também saberá mais sobre seu negócio e estará mais sólido.

No momento de tomar decisões cruciais, quando os segundos estiverem terminando e a posse de bola virar para sua mão, você precisa saber o que fazer. E nesta hora, os seus atos serão consequência do seu treinamento.